Hellraiser existe desde 1987, atravessou onze filmes, livros e quadrinhos, e nunca teve um jogo próprio.
Isso muda em 8 de outubro, daqui a duas semanas, no Xbox Series X e Series S.
E o que me fez levar esse a sério não foi o trailer. Foi quem está envolvido: o Clive Barker participou da concepção, e o Doug Bradley voltou a fazer o Pinhead depois de quase vinte anos longe do personagem.
Aqui está o que se sabe.
O primeiro jogo de Hellraiser em quase 40 anos
A marca e o Pinhead já apareceram em participações licenciadas dentro de outros jogos, mas nunca houve uma produção própria dessa escala.

Houve tentativas antigas de adaptação, e nenhuma chegou ao lançamento. Clive Barker’s Hellraiser: Revival é desenvolvido pela Saber Interactive em parceria com a Boss Team Games, e está em produção há mais de quatro anos, segundo o diretor Emil Esov.
Boa parte desse tempo foi gasta decidindo como transformar a identidade do Barker em algo jogável, em vez de só colocar o Pinhead num corredor escuro.
Doug Bradley voltou como Pinhead
Este é o detalhe que faz diferença para quem acompanha a franquia desde o começo.
Bradley interpretou o personagem desde o primeiro filme, em 1987, e ficou associado a ele por décadas. O jogo marca o retorno dele ao papel depois de quase vinte anos.
E ele não só gravou as falas. Colaborou com a equipe na caracterização, fazendo observações sobre como o Pinhead deveria falar e se comportar.
Clive Barker não entrou só com o nome
O título é Clive Barker’s Hellraiser: Revival, e isso não é apenas marketing.

Barker, que escreveu e dirigiu o filme original, trabalhou com a equipe na fase de concepção. Ele analisou a direção adotada e ajudou a orientar como usar os temas da série sem simplesmente copiar histórias antigas.
Depois disso, deu liberdade para os desenvolvedores criarem a própria narrativa.
A história é nova, e você não precisa ter visto os filmes
O protagonista é o Aidan, um personagem criado para o jogo. Ele tem um passado complicado e uma relação conturbada com a namorada, a Sunny.
Tudo começa quando ele interage com uma caixa chamada Genesis Configuration, prima da Lament Configuration que os fãs conhecem. A Sunny acaba presa numa realidade sobrenatural ligada ao Labirinto, e resgatá-la é o motor da campanha.
Como os dois personagens são novos, Revival funciona como porta de entrada. Quem conhece os filmes vai pegar mais referências, mas não é preciso decorar cronologia nenhuma.
E os desenvolvedores descrevem o casal como pessoas problemáticas, movidas por desejo, vício e comportamento destrutivo. Não é a história do herói salvando a donzela, o que combina muito mais com o material original.
A caixa não é só enredo, é mecânica
Aqui está a maior diferença em relação às histórias tradicionais de Hellraiser.

O Aidan não passa o jogo fugindo das consequências de ter aberto a caixa. Ele aprende a usar os poderes dela, combinando habilidades sobrenaturais com armas comuns.
O arsenal inclui pistolas e espingardas, além de armas brancas para o combate próximo. A Saber promete variedade nas duas frentes.
Isso explica por que o jogo tem mais combate que um survival horror puramente defensivo.
Mas não é só atirar
O diretor foi direto sobre isso: uma das características de Hellraiser é justamente a dificuldade de enquadrar os Cenobitas como vilões comuns.
Eles operam por uma lógica própria de dor, prazer e desejo. A equipe quer evitar transformar o Pinhead num inimigo com barra de vida.
Então alguns encontros são mais sobre sobrevivência e fuga do que sobre eliminar tudo. Existe furtividade, existem quebra-cabeças, e existem chefes de verdade.
Uma campanha de 8 a 12 horas, e só isso
Esta parte merece atenção, porque contraria o padrão atual.

A própria Saber estima de 8 a 12 horas de campanha. E a estrutura é tradicional em todos os sentidos:
Só um jogador. Sem multijogador, apesar de a Saber ter experiência com terror cooperativo.
Funciona offline. Não exige conexão depois de instalado.
Sem DLC anunciado. Nenhuma temporada, passe ou expansão nos planos atuais.
Ou seja, é um jogo que começa, acaba e vai embora. Depois de anos de terror transformado em serviço com loja dentro, ver uma campanha fechada de dez horas é quase nostalgia.
O jogo é pesado, e não é força de expressão
A classificação é 18 anos, e o conteúdo inclui violência intensa, mutilação, nudez, conteúdo sexual e temas perturbadores.
A equipe não pretende suavizar o material original. O terror de Hellraiser sempre misturou dor e prazer de forma incômoda, e a proposta é preservar isso em vez de higienizar.
Se você compra jogo para jogar com criança por perto, fica o aviso.
Em português, com uma ressalva
O jogo terá interface e legendas em português do Brasil.
A dublagem, porém, fica em idiomas selecionados, e o português não está entre eles. Então você lê em português e ouve em inglês, com o Doug Bradley na voz do Pinhead, que nesse caso é exatamente o que você quer.
O que ainda não se sabe
Mesmo a duas semanas do lançamento, ficaram pontas soltas.
Não foram divulgados o número total de armas, todas as habilidades da caixa, quantos chefes existem, a lista completa de Cenobitas, nem se existe Novo Jogo Plus ou quantos finais o jogo tem.
E também não há informação sobre resolução e taxa de quadros no Xbox. Nenhum número foi divulgado para Series X ou Series S.
Outra coisa que vale saber: existe uma demo gratuita, com ótima recepção, mas ela saiu só no PC. Quem joga no console não tem como experimentar antes.
Hellraiser: Revival no Xbox
O jogo chega em 8 de outubro, no Xbox Series X e Series S, em duas semanas.
Quem faz pré-venda recebe itens cosméticos, um visual para pistola e outro para lâmina, sem vantagem de jogo.
Hellraiser: Revival para Xbox Series X e Series S está aqui na XGamestore, em mídia digital.
E você, vai encarar ou esse é forte demais até para quem gosta de terror?