São 23 horas com o EA Sports FC 27, divididas entre Modo Carreira, Ultimate Team e o tal do The Grounds.
E o veredito curto é: é melhor que o do ano passado, mas não é um jogo novo.
Evolução em vez de revolução. O que num FC anual não é necessariamente crítica, desde que a evolução aconteça nos lugares certos. E neste ano, na maior parte, aconteceu.
Vou por partes, começando pela novidade mais divulgada, que é também a mais fraca.
The Grounds promete mais do que entrega
É a grande adição do ano: um ambiente aberto onde você anda pela rua, encontra quadras de tamanhos variados e entra em partidas de 1 contra 1 até 4 contra 4, sozinho ou com outras pessoas.

Tem coisa divertida ali. O balloon ball é o melhor exemplo: cada jogador tem três balões, você pega uma das duas bolas e chuta nos outros, quem sobra com balão ganha.
Tudo que você joga ali rende experiência de atributo, que vira ponto para melhorar seu jogador personalizado. E isso importa porque o modo Clubs foi realocado para dentro do The Grounds como a modalidade de 11 contra 11.
Na prática, os minijogos viraram treino.
O problema é que você vê tudo em quinze minutos. Tem mural com curiosidade de futebol, tem estátua, tem alvo para chutar bola. Mas falta motivo para voltar.
É a primeira versão de uma ideia, e dá para sentir isso em cada esquina. Serve para passar o tempo esperando amigo entrar, e não muito mais que isso. Ano que vem julgo de novo.
Ultimate Team mexeu pouco
Quem vive do Ultimate Team não vai encontrar grande mudança aqui.

A novidade principal são os desafios simplificados. Em vez de montar time que atenda a exigência de média, química ou quantidade de jogadores de um clube, você só precisa enviar cartas suficientes para atingir uma pontuação.
Carta melhor vale mais pontos. Então dá para completar mandando poucas cartas boas ou uma montanha de cartas ruins.
Isso ajuda quem sempre achou os desafios chatos demais e por isso perdia recompensa boa. Para quem gostava do quebra-cabeça, é simples demais.
A outra adição é a Galeria, onde você envia cartas que tem ou já teve para completar coleções e ganhar fichas para comprar cosmético.
É um álbum de figurinhas digital, e o próprio jogo parece saber disso, porque tem botão de completar automaticamente. Legal de ter, mas não muda nada.
O Modo Carreira é o melhor deste ano
Aqui está a parte que justifica a compra para quem joga sozinho.

A mudança maior são as notas dinâmicas. A média geral de um jogador agora depende de forma, moral e condição física. Jogando bem, feliz e inteiro, ele sobe. Machucado ou insatisfeito, ele cai.
A mesma lógica vale para o desenvolvimento das joias da base. Não é mais garantido que aquele moleque promissor vire craque. Sequência ruim, comissão técnica fraca ou jogador descontente podem atrapalhar a evolução.
Isso muda como você monta elenco. Comprar jovem deixou de ser investimento certo.
As negociações ficaram mais reais
As transferências não acontecem mais numa reunião única. Agora são telefonemas e e-mails que se arrastam por dias ou semanas dentro do jogo, com valor e contrato negociados separadamente.
E a proposta precisa ser competitiva, porque tem outro clube atrás do mesmo jogador.
Isso lembra bastante uma novela de transferência de verdade, e dá peso a cada decisão. Às vezes vale estourar o orçamento, e você sente isso na hora de decidir.
Mas a informação não acompanha
Aqui está o que mais me incomodou no modo, e vale como crítica.
Teve negociação que simplesmente caiu sem explicação. Dias depois o jogador apareceu no rival. Provavelmente o outro clube ofereceu contrato melhor, mas o jogo não mostra isso em lugar nenhum.
O mesmo acontece com o desenvolvimento. Teve jogador que não evoluiu jogando bem, com bons treinadores e feliz no clube, sem nenhuma pista do motivo.
E os avisos de atualização de elenco são quase inúteis: você clica e vai parar na tela normal de escalação, sem nada indicando o que mudou nem em quem.
Os sistemas novos são bons. A sinalização deles é que está devendo. Falta aquela tela que te diz exatamente o que aconteceu e o que fazer a respeito, que outro simulador de futebol resolveu faz tempo.
Em campo: o cruzamento voltou
As mudanças de jogabilidade miraram em duas coisas, cruzamento e defesa, e acertaram nas duas.

Cruzar funciona de novo. No ano passado era praticamente inviável. Agora a bola chega no jogador certo e a cabeçada acerta o alvo com frequência.
Isso abre caminho de gol para quem não quer depender de toque curto e drible com o jogador mais rápido do elenco.
Os escanteios também ganharam profundidade, com opção de chamar jogador para a primeira trave, para a segunda, ou tirar gente da área.
E defender ficou mais consistente. O zagueiro antecipa melhor a jogada e ganha mais dividida no um contra um.
Mas velocidade ainda manda
Esta é a crítica que sobrevive ao ano.
Atacante rápido continua desequilibrado e passa pela defesa fácil demais. E como o lançamento ficou mais eficiente, ponta veloz virou ainda mais punitivo quando o tempo da corrida está certo.
Resultado: você é obrigado a ter zagueiro rápido, ou a aprender a armar impedimento de verdade.
E ainda aparece aquele lance em que a bola quica estranho e atravessa a dividida, deixando o atacante sozinho com o goleiro.
Como acontece todo ano, vem atualização em um ou dois meses mexendo nesse equilíbrio. Então o jogo que você compra hoje não é exatamente o que você vai jogar em dezembro.
O que é fato e o que é gosto meu
Fato: o The Grounds existe e absorveu o modo Clubs, os desafios simplificados funcionam por pontuação, as notas do Modo Carreira agora variam por forma e moral, as negociações acontecem por telefone e e-mail ao longo de dias, e o cruzamento voltou a ser viável.
Gosto meu: achar o The Grounds raso, considerar o Modo Carreira o melhor pacote do ano, e me incomodar mais com a falta de explicação do que com os sistemas em si.
E o que eu ainda não sei: como o Ultimate Team se comporta daqui a três meses. Desafio simplificado pode ficar bem mais exigente quando começarem a valer carta especial, e aí a conversa muda. Com 23 horas, isso eu não tenho como julgar.
EA FC 27 vale a pena?
Vale se você vive do Modo Carreira. É ali que está a maior parte do trabalho deste ano, e as mudanças mexem de verdade na forma de jogar.
Vale se cruzamento faz parte do seu jeito de jogar, porque ele voltou a existir depois de um ano fora.
Pense melhor se você só joga Ultimate Team, porque as mudanças ali são pequenas.
E não compre pelo The Grounds. Ele é a novidade mais anunciada e a parte menos pronta do pacote.
No fim, é um FC melhor que o anterior, com sistemas que ainda precisam de ajuste e uma novidade que precisa de mais substância.
Aqui dá para ver quanto os jogos de Xbox custam fora da loja oficial.
E você, já passou pelo The Grounds ou foi direto para o Modo Carreira?